Três horas e muita história para contar. Entre choro e desolação o empresário Sérgio Damiani prestou depoimento, na Delegacia do Turu, sobre a morte da ex-esposa, Sandra Maria Dourado de Sousa e negou qualquer participação no crime. Ela e o namorado, o holandês Joel Bastiens, foram mortos a tiros na última segunda-feira, no Araçagy.
Eles foram atraídos após receber uma ligação de suposto interessado na compra de um imóvel. A polícia já tem um suspeito e trabalha com a hipótese de que Sandra foi morta por alguém próximo. Na próxima quinta-feira, parte do inquérito será concluído.
No depoimento, Damiani disse ter uma relação amigável com a ex-esposa. Separados desde 2004, ele possuía a guarda dos dois filhos, com o consentimento de Sandra. Disse que era um bom pai. Durante o interrogatório o empresário se emocionou várias vezes e revelou que mesmo após a separação, ele e Sandra protagonizaram algumas brigas.
O delegado confirmou o fato por boletins onde Sandra solicitava a separação de corpos por ter sofrido agressão verbal e física. Damiani nega esta última agressão e diz que “brigávamos como qualquer casal normal”.
Apesar de separados, o divórcio saiu apenas dois anos depois. Tanto Damiani quanto Sandra tinham outros parceiros na ocasião. Mas, o empresário demonstrou no depoimento não ter superado a separação. No acordo, Sandra não teve direito à pensão nem fez exigências para tal, segundo afirmou o empresário.
Independente e atuando como empresária do ramo imobiliário junto ao namorado, ela recorria ao marido apenas para saber dos filhos. Sandra trabalhava com a construção e venda de imóveis, junto com o namorado holandês. Após descobrir que o ex-marido vendeu um terreno por R$ 2 milhões e julgando ser patrimônio dos dois, ela pediu revisão do acordo de separação de bens.
Além do empresário, a polícia já ouviu a família de Sandra e dois sócios do ex-marido. Estão marcados depoimentos com pessoas ligadas aos negócios dos dois – corretores, sócios e amigos em comum. Foi pedido os sigilos bancários de Damiani, de Sandra e dos sócios. O delegado confirmou que pessoas ligadas ao ex-casal teriam contatado com Sandra para tratar do imóvel onde ela foi morta.
“Após confrontar as informações com a quebra de sigilo, vamos confirmar as provas já conseguidas”, disse o delegado Carlos Alberto Damasceno, que investiga o caso.
Na quarta-feira, os novos depoimentos serão confrontados. Não haverá acariações, mas confronto de álibis e provas, diz o delegado. Ele considera o crime de difícil elucidação, pois, “não há testemunhas que possam reconhecer o atirador ou que queiram relatar o ocorrido naquela ocasião”. Mas, garante que na próxima quinta-feira apresentará algum nome de envolvido no assassinato.
Sergio Damiani será chamado a depor novamente na próxima semana.