1 - Ligação pessoal
“Foi uma necessidade de oxigenar os Correios. O governo entendeu que era hora de dar uma nova administração, dar possibilidade de a empresa continuar de forma mais normalizada”, justificou o ministro das Comunicações, José Artur Filardi. Segundo ele, os atrasos nas entregas de encomendas e a dificuldade na realização de concurso para a estatal contribuíram para a saída. A companhia emperrou a licitação para a renovação das franquias, o que levantou suspeitas da oposição de que o atraso teria sido proposital — a intenção seria manter as licenças de pessoas ligadas a peemedebistas.
Os atuais franqueados estão trabalhando irregularmente. Outro problema é a dívida de R$ 1 bilhão que a ECT tem com o fundo de pensão de seus funcionários, o Postalis. Protegido do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), Custódio caiu em desgraça de vez depois que os Correios lançaram um sistema para ajudar candidatos nas próximas eleições a usar o serviço de mala direta. A Casa Civil não gostou do site na internet, que chegava a dar conselhos de como os postulantes a cargos políticos deveriam se aproximar dos eleitores. Ontem, ele se disse “surpreso” com a demissão.
Quando Filippelli, candidato a vice na chapa de Agnelo Queiroz (PT) ao governo do DF, foi chefe da Agência de Infraestrutura e Obras, Mattos era seu adjunto. Ele era nome certo para a Secretaria de Obras na administração de Rogério Rosso, mas seu grupo político se desentendeu com o governador. “Minha indicação foi técnica”, disse ao Correio. Lula também afastou o diretor de Gestão de Pessoas dos Correios, Pedro Magalhães, irmão do deputado João Magalhães (PMDB-MG), envolvido no Escândalo das Sanguessugas. Ele será substituído por Nelson Oliveira de Freitas, ligado ao Ministério do Planejamento.